quinta-feira, setembro 08, 2011

Americanices

Sempre que assisto a demonstrações de chauvinismo americano, faço questão de revirar os olhos, suspirar fundo e baixar a cabeça. É todo um processo.

"We're #1!! USA! USA! Uuuuuhuhuuuhu!!!"


É o mesmo processo que sofro quando sou confrontado com o falso moralismo (americano), que julgo ser coisa para afectar qualquer um, e à qual não sou indiferente. Gosto, particularmente, de todos os que acham que os seus valores são superiores aos meus. Ou aos de qualquer outro indivíduo, para ser mais exacto.

Sinal disso foi o caso da cantora Janet Jackson na SuperBowl de 2004. Para uma boa porção dos americanos, foi quase tão mau como o 11 de Setembro.


Durante semanas a fio não havia mais assunto na TV. Lembro-me de, no rescaldo desta actuação, se ter falado imenso de como a imagem do seio de uma mulher de meia idade iria afectar as crianças que estavam a ver o jogo... de futebol americano! O trabalho que os pais iriam ter a explicar aquela situação, porque as crianças nunca viram uma mama. Nem sabem que existem. E porque o ideal é, desde cedo, assustá-las para o eventual confronto com uma.

Assim sendo, sempre que se discute o confronto sexo vs violência na TV/cinema, a violência acaba por ser o mal menor. A lógica é a seguinte:
"Se a alta criminalidade for resultado dos conteúdos violentos que temos nos nossos écrans, então o que seria dos EUA se transmitíssemos mais sexo/nudez? Estão a imaginar um jovem entrar numa escola e f♦Ѐπ tudo o que mexe? Literalmente?! E o horror que seria poder-se comprar vibradores e dildos tão livremente como armas?!? Era o fim da picada!"

Dito isto, apresento-vos o TODDLERS AND TIARAS, o show norte-americano onde «crianças sobem aos palcos usando maquilhagem, pestanas postiças, auto-bronzeadores e extensões/perucas para serem julgadas pela sua beleza, personalidade e roupa.» (in TLC – canal televisivo que emite o programa)

Querem ver um bocadinho? Querem mesmo?!?!? Vamos a isso!



O último episódio desta maravilha televisiva apresentou uma menina de 3 anos, vestida de prostituta. Sim, leram bem. Mas... esperem, há uma justificação oficial:
«Ao que parece, não é uma prostituta qualquer. Tecnicamente, é a personagem que Julia Roberts interpretou em Pretty Woman (Um Sonho de Mulher), antes e depois da transformação levada a cabo pela personagem de Richard Gere.»

E que classe, acrescento eu...


Eu queria acrescentar uma última coisa, só para terminar em beleza. Mas não posso. Neste momento estou a revirar os olhos, suspirar fundo e baixar a cabeça...

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