sexta-feira, dezembro 28, 2007

Universos Paralelos



Eu até já tinha um post preparado. Ia falar sobre o que penso das pessoas que não respondem aos telefonemas/mails/SMSs de Natal, e sobre as desculpas esfarrapadas que apresentam. Mas entretanto, algo se passou.

O Estádio.

No Bairro Alto, existe um estabelecimento chamado "o Estádio". É populado essencialmente por indivíduos do sexo masculino, com traços característicos: cabelo peculiar (sim, é um eufemismo), óculos fundo de garrafa, gostos estilísticos duvidosos e barbas à lenhador.

Neste submundo, estes personagens são reis. Por mais que tentes brilhar, disparar 35 piadas/minuto, não irás conseguir vingar. Porque não sabes jogar neste campo.

Todos nós temos grupos de amigos com quem nos damos. E todos consideramos esse grupo como "o normal". Há os "góticos", os "betos", os "geeks", mas o nosso é que é o normal. A piada da coisa reside no facto de os "betos" acharem que eles não são os "betos", os "geeks" acharem que eles não são os "geeks", etc etc.

Estes barbudos misgolhos, vestidos pelo primo maneta da Ana Salazar, sabem que ali são normais. Que aquele é o spot deles. Mesmo que tenham comida presa no cabelo, que se babem pela barba abaixo, e que as piadas incluam uma mão que se agita sem ninguém perceber porquê.

Naquele ambiente és tu que estás a mais.
E é com esta definição de normalidade, que hoje me foi apresentada, que eu me debato neste momento. Porque nalgum sítio, nesta altura, há alguém a falar da peculiaridade de um tipo de cabelo bizarro, magro e que fala alto, avistado hoje a sentar-se n'o Estádio com um ar assustado...

... e a sair de lá, poucos minutos depois, com o mesmo ar.

5 comentários:

90kilos disse...

É realmente curioso, como o nosso grupo é sempre o "normal" e os outros grupos são os "qualquer coisa pouco simpática".

Ontem foi a mais recente vez em que me senti tão à parte num estabelecimento público. Senti como se fosse um africano, daqueles bem escurinhos, a frequentar um bar da alta sociedade de Joanesburgo, no início do século.


Foi entrar e não ver nenhuma roupa com aspecto familiar e que coubesse no meu guarda roupa, penteados que de penteados não têm nada, barbas com vida própria e capazes de terem alguns ratos lá dentro há mais de 6 meses, comida guardada no cabelo para quando chegar a casa já terem o que ceiar, cabelos com tanto óleo que provavelmente a futura ceia foi lá preparada, etc, etc.

Piadas parvas todos fazemos em momentos menos felizes, mas aquele ambiente, aquelas pessoas e o sítio em si, fez com que eu NUNCA mais lá volte, com medo de ser raptado por um dakeles indivíduos e me obriguem a deixar crescer a barba (que para ficar como a deles demoraria cerca de 19 a 20 meses...).

Tive duas grandes sensações ontem à noite. MEDO quando entrei no estabelecimento e ALIVIO quando me vi cá fora!

gAnDaMaLuKo disse...

Faço minhas as tuas palavras. Excepto a parte de Joanesburgo, que me parece ser um bocadinho rebuscada e demonstrativa de um conhecimento aprofundado da sociedade sul-africana, que eu não possuo.

Mas não duvides: antes apanhar água dos carros que passam na rua, e ser abordado por histéricas de apito na boca impingindo-me cocaína, a servir de muleta social num ambiente pré-australopitequiano!

90kilos disse...

Quem escreve no seu próprio bolg a frase "...muleta social num ambiente pré-australopitequiano!" realmente não merece ser uma muleta social num ambiente pré-australopitequiano.

S. disse...

Eu tb já lá fui, o pessoal é meio grunho mas não me pareceu assim ameaçador.

Olha, e sobre as pessoas que não respondem a sms de natal? Eu, POR ACASO, respondi-te. Mas para quem não dá importância à data é um pouco tonto pôr-se a mandar sms's de agradecimento não?...

bjinhos

gAnDaMaLuKo disse...

Caríssima S. (que tão bem se soube comportar na última intervenção social a que participámos, num antro escuro de cariz tão duvidoso que quase pôs em causa a reputação d'o Estádio):
independentemente do que a época Natalícia significa para qualquer um de nós, responder a uma mensagem que veicula boa-vontade é não só um sinal de educação, mas também de cortesia. Nem que seja um mero "Obrigado. Boas Festas." Não custa nada, e fica sempre bem, não concordas?

Bjks, e boa viagem